Por esas mismas fechas, mientras esperaban, un soldado del
batallón de Reiter se volvió loco. Decía que oía todas las trans-
misiones radiales, las alemanas y también, cosa más sorpren-
dente, las francesas. Este soldado se llamaba Gustav y tenía
veinte años, los mismos que Reiter, y nunca había estado desti-
nado en el equipo de transmisiones del batallón. El médico que
lo examinó, un muniqués de aire cansado, dijo que Gustav te-
nía un brote de esquizofrenia auditiva, que consiste en oír vo-
ces dentro de la cabeza, y le recetó baños fríos y tranquilizantes.
El caso de Gustav, sin embargo, se diferenciaba en un punto
esencial de la mayor parte de los casos de esquizofrenia auditi-
va: en ésta las voces que oye el paciente se dirigen a él, le ha-
blan o lo increpan a él, mientras que en el caso de Gustav las
voces que oía simplemente se limitaban a cursar órdenes, eran vo-
ces de soldados, de exploradores, de tenientes dando el parte
diario, de coroneles hablando por teléfono con sus generales,
de capitanes de intendencia reclamando cincuenta kilos de ha-
rina, de pilotos dando el parte atmosférico. La primera semana
de tratamiento pareció mejorar al soldado Gustav. Andaba un
poco atontado y se resistía a los baños fríos, pero ya no gritaba
ni decía que estaban envenenando su alma. La segunda semana
se escapó del hospital de campaña y se colgó de un árbol.
Roberto Bolaño, 2666

Novas Cartografias – Noise-Pólis

Os dados escolhidos para serem mapeados então são os seguintes:

1- Espectro Audível-ondas mecânicas – 20hz-20khz – presença + poluição sonora
2- Satélite bolinha – ondas EM – 88Mhz-205Mhz – comunicação oficial/amadora AM/FM
3- Celular – ondas EM – 950/1800/1900mhz – presença + radiação eletromagnética
4- High-Freq Meter – 950Mhz – 2.4Ghz – presença + radiação eletromagnética

Aqui estão alguns testes realizados com os inputs de áudio no PureData, lançando as informações via OSC para o Processing. O desafio a partir de agora é relacionar os parâmetros coletados dos áudios de cada “detector” e gerar algorítimos de interpretação no Processing para termos os nossos mapas! Como se comportam essas ondas? Quais são as relações que devem ser favorecidas na interpretação?

PD + Processing (via OSC) – mapping street direct sound harmonics
Programa piloto gerado no PD para gerenciar os Inputs acima com simulações do comportamento dos 4 tipos de informação seguido de envio para o Processing. Harmônicos e níveis de volume de uma gravação com visualização separada a princípio para teste.

PD + Processing (via OSC) 2 – mapping high frequency
Exemplo de um mapeamento só das high-frequencies do circuito-sensor em um estilo radial-noise-pólis!

Visualização já mais completa com todos os sons sendo tocados e mapeados ao mesmo tempo e com parametros específicos para cada informação de frequência e volume

Programações em Processing: Felipe Turcheti
Programações em Pure Data: Vanessa De Michelis e Paulo Casaes

Metamorfose dos sentidos e o estaleiro Cego

Foram escolhidos os fantasmas magnéticos que vamos caçar pela cidade de salvador. Ainda não sabemos se nossa intenção será delata-los ou descobrirmos áreas que possamos nos proteger de suas presenças. Talvez não seja necessário tomar esse posicionamento uma vez que o fato de expor essas presenças invisíveis já seja assumir uma postura que não queremos ser assombrados sem lenços por documentos. Esses fantasmas estão por todos os lados e habitam a luz, os equipamentos, as comunicações, nossas entradas e saídas de edifícios e portões. Estão no nosso trabalho, no nosso telefone, quando esquentamos nossa comida, quando falamos com os queridos a distância, quando hackeamos hardwares e softwares ou jogamos videogame. Diferentemente dos fantasmas da cabeça e imaginário, talvez estes fantasmas só não habitem nosso sono, nosso escuro, nossos momentos de calma sozinhos e férias na montanha.

Talvez essa atitude de querer encontrá-los também não seja delatora e sim fetichista. Um desejo incontrolável de escutar e ver o invisível, de aprofundar a relação com as energias que cruzam nossos olhares e ouvidos a todo instante, que estimulam e tocam nossos corpos, que soam e revelam mundos proibidos e insalubres escondidos por entre o ar que respiramos, os telefonemas saudosos, as instituições que (des)respeitamos. Lembro-me da escuta pornográfica proposta no texto de Arthur Omar (Da Audição: Satisfação Garantida Ou Seu Silêncio de Volta.) e de repente penso que querer escutar esses fantasmas também é um fetiche. Me lembro dos poetas da recusa selecionados e traduzidos por Augusto de Campo onde ele por vezes, favorece escolhas de tradução baseadas nas sonoridades possíveis entre as linguas, mais do que no sentido do poema. Em um deles o poeta russo Boris Pasternak escreve sobre como convém deixar espaços brancos a beira do papel e das intenções, pois neles estão inscritos capítulos de uma vida inteira. Lembro ainda de uma referência em um livro escrito por Guattari e Deleuze sobre Kafka chamado Por uma literatura menor, explicando o ódio de Kafka a metáfora. Franz era um homem que acreditava em metamorfoses onde homens viram insetos e não em metáforas de homens se comportando como insetos. As vezes gosto de acreditar em metamorfoses possíveis onde escutamos e vemos frequências não humanas por obtermos de repente super poderes eletromagnéticos revelados pela vontade pornográfica e proibida de escutar os sedutores estímulos das torres, dos satélites e dos céus e não o que eles estão comunicando. Qual é seu timbre, seu ritmo, seus (des)harmônicos? Me permito estar exposta ao caos escondido de uma realidade que já me viola independente da minha concessão.

Por último lembro de uma história que me foi contada presente no livro Eupalinos ou o Arquiteto . Nesse livro Sócrates e Fedro falecidos, enquanto almas, conversam sobre perceber espaços. Sócrates conta a historia de um estaleiro Fenício que era conhecido como o melhor construtor de barcos de sua época. O estaleiro era cego e para talhar seus barcos aprendeu a escutar os ventos, o mar e as ondas. Tinha ouvidos tão poderosos que era capaz de com eles devorar monstros e tempestades. Eis que acredito que de repente as relações com o eletromagnetismo e as sonoridades podem deixar de ser uma metáfora de sentido para se transformar em uma metamorfose dos sentidos.

Textos sugeridos por Adriano Mattos

ONDE É A SOMBRA DAS EMISSÕES Eletro-Magnéticas?


(os egípcios chamavam o relógio de sol de relógio de sombra)


TEMOS POSSIBILIDADES DE SOMBRAS OU PREPAREMOS NOSSAS GAIOLAS?

Entre os produtos comuns de segurança (anti) eletromagnética estão os medidores de campos EM e algumas outras utilidades para medidas drásticas de proteção!

–> Cortinado anti-microondas e para descanso sem rádio-frequencias

–> Insufilms anti-microondas e RF

–> Tinta anti-campos eletromagnéticos

–> Fone manual-vintage para hands-off celulares

Fonte: EMSafety Store

Identificando e Escutando as fontes emissoras e a radiação: Que Pasa por aqui hombre?

Medidor de densidade de campos de rádio-frequência

(PRO) Detecta campos elétricos de ondas de rádio e micro-ondas de 0,5 Mhz a 3 Ghz, dando um output em 0,001 a 2000 microwatts quadrados de densidade de potência. Esses aparelhos são ideais para detectarem instalações wireless (de computadores e redes de internet a cameras de segurança, escuta, etc) e localizarem fontes de sinais indesejadas como vazamentos de ruído, sinais e transmissões interferente. Os modelos desse detector geralmente tem um display numérico digital que informa a potência da rede detectada (a antena tem que ser direcionada para a fonte), um output de DC que dá um pulso em volts e uma saída de áudio para se ouvir as mudanças no campo. Hummm! As fontes podem ser identificadas pela identidade sonora característica de cada fonte eletromagnética. Por exemplo aquele ruidinho do celular nas suas caixas de som quando ele vai tocar ou receber mensagem.

Profissionais da segurança pessoal e pública utilizam esse equipamento quando instalando dispositivos de segurança, vigilância e monitoramento; para optimizar áreas de comunicação com satélites e outras redes de rádio-frequência; confirmar transmissões, detectar hotspots, etc. Outro usuários incluem também radio-amadores, hobbystas, equipes de segurança de vôo, militares, polícia, construtoras e outras pessoas e equipes envolvidas com manutenção, medidas e detecção de radio frequências e interferências em redes.

High Frequency Sniffer (DIY by Martin Howse)

Detector de rádio-frequências de 100Mhz a 2.4Ghz, com output de áudio demodulado e visor de LED’s para níveis. No vídeo abaixo o detector responde a aproximação da câmera de filmagem.

Digital Scanner para Rádio-Frequência e escuta de satélites

Scanner digital que identifica emissões por frequência, diferente dos anteriores que identificam campos eletromagnéticos por potência de emissão! Um exemplo de projeto com gravações realizadas com emissões de satélites bolinha.

Para escutar entre aqui

visão eletromagnética

domingo, 7:14 da manhã. as blitz de lei seca acabaram há horas, o último acidente de carro aconteceu há mais de uma hora, as patrulhas e as ambulâncias silenciaram suas antenas. os que saíram há minutos para fazer esporte, em maioria, deixaram os celulares em casa. pouquíssimos computadores com wifi acessam a internet, ninguém trabalhando. me arrisco a sair de minha gaiola de faraday e me expor às ruas.

um táxi passa, torço para que mantenha o silêncio. ao dobrar a esquina ele responde a uma chamada, já fora do meu alcance. no topo dos edifícios, as torres de celular têm um brilho fraco. vejo ainda uma ou outra parabólica de microondas, com seu túnel aéreo até a torre central, de onde sai uma dúzia de outros túneis, a teia onde se apóiam conversas e dados. mais longe, longe de incomodar, as antenas de televisão e rádio irradiam para todos os lados. olho para o edifício de mil janelas; em algumas se vê a luz tênue de algum router wifi, ou uma outra babá eletrônica; imagino o bebê que dorme ali dentro, assediado pela radiação antes mesmo de poder entender ou desligar o aparelho.

um homem passa, cansado. sua roupa pode ser elegante demais para aquela hora, mas o mau estado delas restaura a coerência do seu personagem. seu celular está desligado. ou terá sido atirado no lixo no momento em que amanhecia? dobro a esquina, escolho as ruas mais vazias, mas uma moça com muita energia e tensão e um celular dentro da bolsa vem chegando rápido. atravesso a rua? é improvável que alguém ligue a essa hora, me arrisco a seguir em frente. a poucos passos dela eu atravesso a rua de repente. ela tem o bluetooth ligado. a moça leva um susto mas segue em frente. porque as pessoas deixam o bluetooth do celular ligado?

continuo por uma rua bonita, com árvores e casas. podia ser sempre assim, luzes fraquinhas, um pássaro ou outro. mas meu caminho é bloqueado. um jovem com olheiras imbica seu carro de luxo na garagem de casa. para completar a ofensa, ele usa o controle remoto na minha cara para abrir o portão. é hora de eu voltar para a gaiola.

b.v.

Ondas no ar e transmissões sem fio:
Onde, quando, como, quem, para quê?


ESPECTRO AUDÍVEL(ondas mecânicas)

No campo sonoro as regulamentações de utilização do espaço estão relacionadas a níveis de volume/exposição horas-dia/anos no caso da poluição sonora e no caso da lei do silêncio, a relação se dá de acordo com o horário do dia e o nível sonoro, por exemplo, não permite que emissões de nível alto aconteçam entre as 22hrs e 8hrs. O nível equivalente de ruído (Leq) de 65 dB(A) é considerado o limiar de conforto acústico para a medicina preventiva. No Brasil os orgãos responsáveis pela regulamentação sobre poluição sonora urbana são os ministérios e secretarias do Meio Ambiente e Direito Ambiental, Organização Territorial, Desenvolvimento Urbano e Regional, Saúde Pública.

Emissões sonoras a que estamos expostos e seus níveis sonoros:

Emissões sonoras mais incomodas:


EMISSÕES ELETROMAGNÉTICAS

RÁDIO

As rádio-ondas funcionam através de modulações. Rádio é a transmissão de sinais via modulação de ondas eletromagnéticas. Modulação é o processo através do qual transformamos um sinal mais simples em um mais complexo. A informação é carregada através de mudanças (modulações) nas propriedades do sinal. Na modulação AM se modifica a amplitude do sinal (onda) portadora, enquanto na FM se modula a frequência da onda portadora. A informação é carregada através de mudanças (modulações) nas propriedades do sinal. As diferenças de comportamento entre a onda modulada (o sinal de áudio ou informação) e a portadora (sinal de rádio) podem ser demoduladas em corrente alternada quando passadas por um condutor eletrico e convertidas em som ou outros sinais.

Representação gráfica da onda portadora (sinal de rádio)

Representação gráfica da onda moduladora (sinal de áudio)

Representação gráfica da onda modulada final

RáDIO COMUNICAÇãO x RáDIO DIFUSÃO

A palavra rádio comunicação designa vulgarmente o aparelho transmissor e receptor (Transceptor) das ondas de radiofreqüência. O termo radiodifusão designa somente a recepção de sinais de radiofreqüência. Juridicamente, ambas modalidades estão contidas por legislações próprias e separadas. A radiocomunicação pode ser comercial e amadora, enquanto a radiodifusão é de âmbito restrita à área comercial. As porções do espectro Eletromagnético alocadas para fins de radiodifusão, foram distribuídas de acordo com critérios rigorosamente técnicos, e dividem o serviço com outras modalidades, por exemplo: auxílio para a navegação aérea, telemetria, comunicação telefônica, radares, satélites artificiais, estudos científicos, etc. Cada emissora de rádio opera numa frequência determinada por Agências reguladoras (No caso do Brasil, quem regula estas frequências é a ANATEL) para evitar o fenômeno da interferência mútua.


SATÉLITES “BOLINHA”

Os satélites de comunicações têm a função de retransmitir sinais entre pontos distantes da Terra como sinais de televisão, rádio ou mesmo telefone. O satélite bolinha (como ficou vulgarmente conhecido no Brasil) são os satélites geo-estacionários (orbitando sobre o equador) americanos SatCom. Estes satélites orbitam em sua maioria bem em cima do Brasil para que possam ouvir ao mesmo tempo a Europa e os EUA, portanto, usuários clandestinos se apropriam facilmente desse satélite para se comunicarem. Exemplos incluem caminhoneiros, criminosos, pessoas que vivem em áreas remotas, etc geralmente utilizam a frequência de 250Mhz para se comunicarem. É necessário saber que é ilegal transmitir na frequência dos satélites, porém, não é ilegal escutar as transmissões que por ali passam.

Estação de comunicação oficial

Estação de comunicação clandestina


TELEFONIA MóVEL

Um telefone móvel é basicamente um aparelho que utiliza radio-ondas para comunicar-se um com o outro. O sistema de telefonia móvel é composto por um sistema integrado de transmissores e receptores de rádio denominados células. A medida que o terminal individual (telefone) se locomove vai entrando e saindo da cobertura das células que são as antenas e estações. Através dos celulares que utilizam codificação digital é ainda possivel transmitir não apenas voz como dados possibilitando conectar a redes utilizando protocolos tcp/ip, portanto, os celulares podem se conectar a internet como computadores. O celular opera em 3 frequências distintas, variando a cada cidade, país, etc: 950/1800/1900mhz


BLUETOOTH

é uma tecnologia de comunicação sem fio de curta distância que permite transmitir dados entre dispositivos distintos através de transmissões de rádio de curta-frequência que criam PAN’s (personal area networks). É aplicada em controle e comunicação sem fio geralmente em dispositivos de comunicação móvel como celulares, PDA, laptops, impressoras, câmeras digitais, código de barras, equipamento médico e controladores de tráfego. Por ser controlado via rádio, depende também de entrada e saida de áreas de cobertura não direcionais (como o caso do infravermelho).

Espectro na faixa dos 2.4gigahertz onde estão as ondas Wi-fi/blue tooth:

Referências para essa pesquisa:
1-Legislação Federal sobre Poluição Sonora Urbana
2- Revista da Saúde Pública
3-satélites bolinha – Adinei, PY2ADN py2adn (arroba) yahoo.com.br
4-wikipedia (en/port/spanish)
5- sistemas de comunicacion

Sobre Sistemas de Comunicação

Mini-referência para botar os “pingos nos “i” ” e pontos de convergência entre os campos sonoro, tecnológico e telecomunicacional. Uma simples descrição dos elementos que compões um sistema de comunicação:

Temos os dados, a informação, o emissor, o veículo e o receptor. Os dados são a matéria prima a partir da qual se transmite uma informação. Os dados se convertem em informação quando seu criador lhes cunha um significado, codifica para um determinado meio que, ao atingir o receptor, recebe e descodifica a mensagem. Sobre o veículo ou canal se chama largura de banda a velocidade e a quantidade de dados que podem ser transmitidos por segundo.

Esses dados podem ser transmitidos de forma analógica (sinais continuos) ou digital (pulsos) e os meios de transmissão via ondas se classificam por exemplo como via cabo, aquático ou no caso do espaço aéreo:

Atmosféricos:
meio utilizados pelos sinais das emissoras de rádio, televisão e telefonia móvel. A atmosfera é mais sensível que o cabo ao ruído, interferências e interceptação.

Atmosféricos externos:
meio utilizado pelos sinais de rádio que emitem e recebem os satélites e comunicação.

Comunicação via Ondas:

Se chama ONDA uma PERTUBAÇÃO que se propaga através de um meio transportando energia e são classificadas de acordo com o meio que se propagam. Podem ser mecânicas (que necessitam de um meio sólido, líquido ou gasoso para se propagrem) ou eletromagnéticas (que podem se propagar tanto em meios vazios ou no vácuo). As ondas são medidas por 3 magnitudes principais:
1)período: tempo transcorrido entre a repetição dos pulsos
2)longitude: distância percorrida
3)frequência: número de pulsos por segundo;

sendo que a frequência determina a quantidade de energia que uma onda é capaz de transportar. Quanto maior a frequência, maior a quantidade de energia que ela pode transportar.

Ondas Sonoras x Ondas Eletromagnéticas:
Representação Gráfica

O som é produzido quando as onda vibram o meio material (ar, água ou sólidos). O padrão vibracional da energia é transferido então para o meio que vibra e propaga a energia no mesmo formato que a perturbação original. As ondas sonoras se propagam a 356 m/s no ar. Dependem da densidade do meio de forma que quanto maior a densidade do meio maior a velocidade de propagação (Aço: 5.900 m/s).

Exemplo de um espectro sonoro (geralmente representado na relação entre as grandezas de X-frequência e y- pressão sonora de deslocamento do ar):

Ondas eletromagnéticas são resultados de perturbações geradas por cargas elétricas. O calor, a luz, os raios Gama e X, ondas de rádio e televisão são exemplos de ondas eletromagnéticas. O conjunto dessas ondas é chamado de espectro eletromagnético. As ondas EM se propagam a 300.000km por segundo.

Exemplo de um espectro eletromagnético:

Exemplo de uma onda luminosa que carrega em si um campo elétrico e um análogo eletromagnético ao seu redor:

Este mês estou desenvolvendo um projeto para o ArteMov Salvador, cuja temática é “Novas Cartografias Urbanas: reconfigurações do espaço público”. Um pouco sobre a proposta da plataforma (retirada do site oficial):

“O Vivo arte.mov é um espaço para a produção e reflexão crítica em torno da chamada “cultura da mobilidade”. Ao priorizar a utilização consciente das mídias móveis, a fim de construir formas de compartilhar o saber e o conhecimento, o programa possibilita o acesso à informação e a novas práticas artísticas. Através de uma programação cultural que explora as possibilidades criativas no campo das mídias móveis e locativas, o Vivo arte.mov propicia também a inserção de experiências afins no espaço público. Além disso, o Vivo arte.mov tem como meta o fomento de um pensamento crítico e o estímulo a pesquisas e criações que reflitam as transformações na sociedade contemporânea, ocorridas a partir da disseminação das tecnologias de comunicação móvel.”

Fui convidada a realizar esse projeto devido a meu trabalho com detecção de poluição sonora e níveis altos de ruido Phonosíntese. O trabalho se resume em detectar emissões sonoras urbanas e fazer um mapeamento dos dados para que depois sejam lidos por sintetizadores digitais preparados. Há algum tempo pesquiso a potencialidade das emissões sonoras como elemento composicional, bem como, sua potencialidade enquanto indice para analise e interpretação de contextos sociais, economicos, geográficos, etc. Para realizar o projeto, convidei o Bruno Vianna. O Bruno é uma figura que ha algum tempo percebemos as interssessões de interesses que talvez se resumam na investigação da ocupação invisível do espaço aéreo. Temos particular interesse na forma que esse espaço é usado na comunicação via emissões públicas e particulares de frequências, modulações, ondas e níveis. Quais são as informações disseminadas nesse espaço? Quais são os residuos restantes dessa comunicação? Quem se beneficia e se prejudica com esse trânsito invisivel? Quais relações de poder estão sendo subjulgadas e superimpostas na organização e hierarquia espectral desse espaço? Muitas são as perguntas que tangem ambas pesquisas e agora teremos a oportunidade de investigar mais profundamente como perceber e pensar esse espectro.

A minha pesquisa prévia sobre níveis de poluição sonora, além de outras apropriações e investigações no campo da escuta levou a alguns trabalhos de documetação e mapeamento do campo sonoro cotidiano, dos sons naturais, humanos, aritficiais, etc. O interesse então se expandiu para outras formas de escutar ondas que não a primária (a partir do ouvido) e a secundária (gravação e reprodução). Passei a me interessar também pelas possibilidades de transmissão e modulação de sons e sua disseminação induzida no espaço aéreo. Não apenas o som no campo da escuta como na verdade a possibilidade de investigar ondas como um todo: o campo eletromagnético. O ouvido humano não consegue escutar emissões eletromagnéticas, mas, elas são as que portam todos os meios de comunicação: de rádio a satélite, de internet a celular. Irônicamente não conseguimos escutar essa radiação eletromagnética de forma primária, mas, todos as nossas próteses para a escuta, são as primeiras a manifestar para nossa percepção, a presença dessas ondas também invisíveis ao olhar. Caixas de som, microfones, gravações, celulares, captadores, rádios, cabos, bobinas indutoras e outros tantos equipamentos sonoros tem a sua fidelidade sonora facilmente corrompida pela presença de emissões eletromagnéticas.

O convidado do projeto não apenas compartilha da curiosidade, interesse e vontade de investigar o assunto como na verdade, já está imerso no campo há anos. Em Julho as primeiras experiências em conjunto se deram em Recife, durante as pesquisas de seu projeto Eletropipas. Investigamos em sua ultima etapa as possibilidades que as pipas satélites tinham de transmitir sonoridades via FM do céu para baixo. Como elas poderiam funcionar como receptoras de ondas eletromagnéticas naturais como tempestades eletricas etc e artificiais como rádio. Bruno pesquisa telecomunicações intensamente e realiza vários trabalhos com a temática. Seu mestrado em tecnologia das telecomunicações ou telecomunicações interativas (o que é mesmo Bruno?) se alia a seu interesse subversivamente espacial de trazer assuntos extremamente técnicos e codificados ao conhecimento público. Um bom exemplo disso é o recém lançado documentário para a web sobre o hackeamento de brasileiros que vivem em áreas remotas aos satélites americanos conhecidos como satélites bolinha. O doc pode ser assistido no site do Itaú cultural aqui.

Durante o mês de Setembro realizaremos testes nesse projeto piloto para chegarmos a um posicionamento convergente quanto a nossas estratégias de medição, mapeamento, documentação e análise do espectro de ondas audíveis e eletromagnéticas.

Devorondina na Praça da Sé, Salvador

Mapa gerado no momento em que tocaram sinos da igreja:

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